sábado, 5 de janeiro de 2019

Cidades da Região Metropolitana de Fortaleza e interior do estado sofrem onda de ataques violentos desde quarta-feira (2). Quarenta e cinco suspeitos foram detidos.

Ônibus incendiado na madrugada desta sexta-feira (4) em Fortaleza — Foto: José Leomar/SVM 
Cidades do Ceará sofrem pelo terceiro dia seguido uma sequência de ataques violentos a ônibus e prédios públicos e privados. Uma prefeitura, agências bancárias, delegacias e garagens de Detran foram incendiadas. Entenda o que se sabe e o que ainda falta saber sobre a onda de violência. 
Quantos ataques já ocorreram? Onde foram? 
Desde a noite de quarta-feira (2), ocorreram 73 ataques. A onda começou em Fortaleza, foi para a Região Metropolitana e agora se espalhou pelo interior do estado. 
Já são 23 cidades com registros de ações criminosas: Fortaleza, Tianguá, Pacatuba, Horizonte, Maracanaú, Caucaia, Pindoretama, Eusébio, Morada Nova, Jaguaruana, Canindé, Piquet Carneiro, Morrinhos, Aracoiaba, Baturité, Juazeiro do Norte, Guaiúba, Acaraú, Massapê, Pacajus, Ibaretama, Icapuí e Pacoti (veja mais abaixo a cronologia dos ataques).
Criminosos fazem série de ataques a ônibus e prédios públicos na Grande Fortaleza — Foto: Reprodução 
Há vítimas? 
Não foram registrados mortos nas ações. Três pessoas ficaram levemente feridas em ataques incendiários. Um casal de idosos e um motorista sofreram queimaduras. 
O que motivou os ataques? 
A Secretaria da Segurança e Defesa Social do Ceará ainda não se pronunciou sobre o motivo dos ataques no estado. 
O presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará, Cláudio Justa, afirma que os atentados são represália à fala do secretário de Administração Penitenciária (SAP), Luís Mauro Albuquerque, sobre maior rigor na fiscalização dos presídios. O secretário afirmou também que "o Estado não deve reconhecer facção" em presídios. 
Atualmente, os membros de facção presos no Ceará são organizados nas unidades prisionais conforme o grupo criminoso a que pertencem. O secretário afirmou que pretende acabar com essa divisão. 
De acordo com uma fonte do Serviço de Inteligência da Secretaria da Segurança ouvida pelo G1, membros de duas facções rivais fizeram um "pacto de união", com o objetivo de "concentrar as forças contra o Estado". 
A ordem dos ataques partiu de um detento da Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (antiga CPPL I), na tarde de quarta-feira, ainda segundo a fonte do Serviço de Inteligência. No dia seguinte, agentes penitenciários fizeram uma vistoria "surpresa" na unidade, o que resultou em um motim dos presidiários. A revolta foi controlada no mesmo dia e nenhum detento fugiu. 
Alguém já foi preso? 
A polícia já prendeu suspeitos? 
Até a manhã de sábado (5), 50 pessoas foram detidas por suspeita de envolvimento nos ataques. Nas penitenciárias do interior do Estado, 72 presos foram autuados por desobediência, resistência e motim. Nenhuma informação sobre a identidade dos presos ou da relação deles com facções foi divulgada. 

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