quinta-feira, 24 de maio de 2018

Greve de caminhoneiros trava ônibus, postos e fábricas no país


No terceiro dia da greve de caminhoneiros autônomos, o cenário foi de desabastecimento em postos de combustíveis, aeroportos, entrepostos de alimentos e restaurantes e de paralisação na fabricação de veículos e no abate de animais.

A paralisação cresceu nesta quarta-feira (23).

Foram registrados protestos de caminhoneiros em 24 estados, como na terça (22), mas com 384 pontos de rodovias bloqueados no início do dia que foram aumentando. Na segunda (21), foram 188.

Segundo a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), foram 160 no Sul, 105 no Sudeste, 51 no Nordeste, 56 no Centro-Oeste e 12, no Norte.

Os efeitos devem se estender hoje.

Por causa da falta de diesel provocada pela greve, a Prefeitura de São Paulo informou que cerca de 40% da frota de ônibus da cidade não circula nesta quinta. O rodízio de veículos está suspenso.

Concessionárias da capital paulista relataram que devem ser afetados os bairros de Cachoeirinha, Pirituba, Perus, Morro Doce (zona norte), São Miguel Paulista, Cidade Carvalho, Ponte Rasa, Cidade Patriarca e Guaianases (zona leste), Varginha, Grajaú e Parelheiros (zona sul) e Morumbi e Butantã (zona oeste).

A frota de ônibus também já foi reduzida no Rio de Janeiro, no Recife e em João Pessoa, e em também municípios do interior paulista.

A situação é mais crítica no Vale do Paraíba, e cidades como São José dos Campos já registraram postos sem combustível ou com filas quilométricas. Em Jacareí e São José, as frotas de ônibus também passaram a operar em horários reduzidos, assim como Ribeirão Preto.

A paralisação afetou, ainda, os Correios, que suspenderam postagens com hora marcada –Sedex 10, 12 e Hoje– e aumentou o prazo para a entrega do Sedex convencional e PAC.

Um dos setores mais afetados é o automotivo. Por falta de peças, foram interrompidas operações em 16 montadoras. Na lista estão Fiat, em Betim (MG), Ford, em São Bernardo do Campo (SP), Volkswagen também em São Bernardo do Campo, São Carlos (SP), São José dos Pinhais (PR) e Taubaté (SP).

“Se a situação não se resolver nos próximos dois dias, teremos praticamente todo o setor paralisado”, diz Antônio Megale, presidente da Anfavea (entidade de representação das montadoras).

Os centros de abastecimento de alimentos nas capitais do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia receberam menos caminhões.

A comercialização de produtos na Ceasa (Central de Abastecimento) de Curitiba caiu cerca de 70% no dia.

No Rio, o centro de distribuição recebe diariamente de 300 a 500 caminhões de frutas, verduras, legumes, cereais e pescado. Nesta quarta, apenas 70 cruzaram o portão.

No setor de alimentos, cerca de 85 mil trabalhadores estão parados em unidades industriais de carne bovina, suína e de aves, informou a ABPA (associação de proteína animal) e a Abiec (associação dos exportadores de carne). Há 129 fábricas paradas no país –na terça, eram 5.

A BRF divulgou nota relatando que suspendeu as atividades em quatro unidades. A Aurora anunciou que vai paralisar unidades em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, nos próximos dois dias.

A falta de estoque já se reflete em supermercados de São Paulo e outros estados, segundo Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e a Apas (das redes paulistas).

Em Salvador, a falta de estoque aumentou a procura por produtos que vêm pelo mar. Na feira de São Joaquim, centro de compras tradicional da cidade, batata e a cebola aumentaram de preço e boxes passaram o dia fechado.

Restaurantes também se queixaram. As redes Divino Fogão, Domino’s, Habib’s, Koni, Subway, Spoleto e The Fifties relataram problemas de abastecimento, segundo a ANR(associação do setor).

Em três dias, as manifestações resultaram em uma morte, um atropelamento, brigas entre motoristas e veículos danificados.

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) diz se preocupar com o desabastecimento e o impacto no PIB (Produto Interno Bruto), segundo Renato Conchon, coordenador do núcleo econômico da entidade.

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